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Elogio da varanda

No projeto de uma casa, é o espaço mais generoso — e o mais esquecido. Uma defesa do lugar onde a vida desacelera.

Redação MYA HOME · 12 de julho de 2026

De todos os cômodos de uma casa, a varanda é o mais generoso — e, curiosamente, o mais esquecido. Não entra na conta dos dormitórios, não tem função definida, não vira argumento de venda. E, no entanto, é onde a vida costuma acontecer.

O limiar

A varanda é fronteira. Nem dentro, nem fora: é o lugar onde a casa toca o mundo sem se expor a ele. Protege do sol e da chuva, mas deixa entrar o vento, o verde e o barulho distante da rua. Morar numa casa com uma boa varanda é ter, todos os dias, um pé lá fora sem sair de casa.

As horas da varanda

Repare em quando ela é usada. O café da manhã de domingo, sem hora para acabar. O fim de tarde com uma taça, vendo o dia baixar. A conversa que se estende porque ninguém quer ser o primeiro a levantar. A varanda é o cômodo das horas boas — aquelas que não estão na agenda.

O luxo de não ter função

Num tempo em que cada metro quadrado precisa se justificar, a varanda é um pequeno ato de rebeldia. Ela existe para o ócio, para a contemplação, para o nada produtivo. É espaço dedicado ao tempo — e tempo, hoje, é o bem mais escasso de quem já tem tudo.

Uma casa se mede pelos quartos. Um lar, pela varanda.

Talvez seja por isso que, ao visitar uma casa, é quase sempre na varanda que a gente para. E, sem perceber, começa a se imaginar morando ali.

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